A resiliência das infraestruturas nas recentes intempéries

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O presidente da Infraestruturas de Portugal, Miguel Cruz, participou no painel “Infraestrutura Resiliente & Sustentável”, integrado no evento global da Deloitte - “Construir o Futuro das Infraestruturas”.

Com as infraestruturas no centro dos desafios de desenvolvimento, resiliência e sustentabilidade que o país enfrenta, realizou-se a 11 de março de 2026, no Estoril, o evento global da Deloitte “Construir o Futuro das Infraestruturas”. Miguel Cruz, presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), foi um dos convidados do painel “Infraestrutura Resiliente & Sustentável”, a par de Kostya Chyzchyk, CEO, City of Future Foundation in Ukraine e José Pedro Freitas, CEO da Mota Engil. A moderação do debate esteve a cargo de Inês dos Santos Costa, Global Central Government Sustainability Leader da Deloitte. 

Durante o debate, o presidente da IP analisou os últimos meses em que Portugal foi assolado por intempéries sucessivas, dando nota da resiliência das infraestruturas e da capacidade da empresa em responder às ocorrências que se sucederam: “Quando olhamos para as infraestruturas que gerimos, o impacto mais significativo deveu-se ao facto de durante três semanas termos tido uma quantidade de chuva equivalente a quase um ano. Nessas semanas, tivemos algo como 4.200 ocorrências, estando já quase todas resolvidas”, explicou.

Miguel Cruz considerou que em casos extremos, onde todos os meios devem ser colocados à disposição para uma resolução mais célere dos problemas, “pouco importa se são públicos ou privados, importa resolver em prol das pessoas”.  Observou ainda o presidente da IP que "as vias que fazem parte da rede de Alta Prestação sob gestão da IP não tiveram encerramentos causados pelas intempéries”, um verdadeiro teste à resiliência dessas infraestruturas em condições muito adversas.
 
Nesse âmbito, a situação extrema pela qual Portugal passou testou, também, a resiliência operacional no terreno, com a necessidade de reunir equipas e tomar decisões estratégicas. Miguel Cruz realçou que “não houve problemas estruturais em pontes, túneis e viadutos”, destacando o trabalho que é desenvolvido diariamente pela IP na gestão das infraestruturas sob sua responsabilidade: 

“Temos um sistema de gestão dos nossos ativos preparado atendendo a diferentes cenários de impacto climático, uma avaliação que fazemos. Parte do trabalho de manutenção e recuperação já está incorporada nesse sistema. Precisamos, no entanto, de acelerar algumas intervenções previstas no processo normal de gestão e continuar a adaptar as infraestruturas para sustentar níveis de impacto futuros, porque algumas foram construídas com padrões desatualizados para os cenários climáticos atuais, e mesmo tendo sido objeto de intervenção, têm de ser reforçados”.

Inovação e sustentabilidade nos novos projetos

Para o futuro, o responsável máximo da empresa salienta que nos “novos projetos” é preciso incorporar requisitos de resiliência desde o início e na manutenção, sendo “imperioso basear as ações nos níveis de resiliência exigidos, num trabalho contínuo e essencial.”

Miguel Cruz considera ainda a monitorização como fundamento essencial para antecipar problemas, estando a IP “a avançar com projetos digitais e sistemas de monitorização da infraestrutura que possibilitam prever, antecipar e acelerar a capacidade de intervenção em caso de situações anómalas.”

A terminar, o presidente da Infraestruturas de Portugal explicou que “nos últimos anos a empresa aumentou a sua exposição em mercados internacionais”, equilibrando os requisitos de ESG com a capacidade de investimento dos clientes e das infraestruturas locais: “A nossa estratégia considera tanto a sustentabilidade como a resiliência operacional, integradas na gestão dos ativos e na prestação de serviços que são críticos para os clientes.”